Superinstalações
   Sem tempo para parar
Os 4 geradores de 2,5 MVA do Itaú cobrem 100% das cargas críticas na média tensão

Conheça aqui a importância das superestruturas que existem nos chamados edifícios de missão crítica no fornecimento de energia

Em que situação estaria um hospital se tivesse que informar aos familiares de um paciente que este veio a falecer porque determinado equipamento médico não funcionou por simples falta de energia? Como calcular o prejuízo de um banco cujo sistema saísse do ar por alguns segundos impedindo que milhares de transações fossem realizadas? Assim como em hospitais e bancos, é cada vez mais freqüente encontrarmos serviços em que as atividades acontecem de forma constante. Estes locais – tais como aeroportos, indústrias de alta produtividade, centros de processamento de dados (CPDs), centros de teleprocessamentos (CTPs) e centrais geradoras de energia, por exemplo – exigem um planejamento especial para que seus sistemas de fornecimento de energia trabalhem incessantemente atendendo milhões de usuários.

Chamados pelos profissionais da eletricidade de edifícios com instalações elétricas de missão crítica, estes “superprédios” ganharam, nos últimos três anos, novos projetos que prometem deixá-los aptos a funcionar direto, por quase dez anos consecutivos, mesmo enfrentando quedas no fornecimento externo de energia elétrica e falhas em componentes internos. Até então, o tempo de missão de uma carga como esta era inferior a quatro anos.

Confiabilidade e disponibilidade

É preciso conhecer o que há por trás destas fortalezas e saber como essas instalações foram projetadas para alcançar uma vida útil tão longa. Trabalhar com a segurança de que a instalação não vai falhar nem provocar interrupções não programadas, além de aumentar a sua disponibilidade (ou seja, a quantidade de horas por ano em que a instalação estará disponível e operante), não é uma tarefa fácil. Atualmente, o grau de disponibilidade destes equipamentos chega à casa dos 99,999%, o que significa uma suspensão de energia de 30 segundos por ano. Neste complexo esforço, cada “9” a mais representa o dobro do custo do projeto. Apesar disso, a meta dos especialistas é chegar o mais próximo possível dos 100%. Mas por que tamanha preocupação?

Martini, da Engenharia Gerencial: redundância nas instalações de missão crítica

Imagine a possibilidade estatística de uma interrupção como esta acontecer. “Em um Data Center, uma parada de 30 segundos ou 30 minutos representa o mesmo desastre e pode até levar uma empresa à falência”, afirma o engenheiro eletricista José Luiz De Martini, consultor, com 28 anos de experiência, titular da Engenharia Gerencial. Martini explica ainda que, para conseguir que um sistema como este realize a missão de dez anos com tamanha disponibilidade, é fundamental observar a qualidade dos componentes utilizados no projeto. “Estas instalações pedem produtos de primeira linha, por isso usamos cabos como o Eprotenax Gsette, da Pirelli”, declara.

Para garantir a performance e segurança dos equipamentos envolvidos nos projetos deste tipo, o engenheiro costuma contar também com outros produtos Pirelli. “Usamos os Gsette por serem cabos extraflexíveis, que se conectam facilmente a equipamentos sensíveis do tipo no-breaks, e os condutores Afumex por garantirem a segurança dos componentes em caso de incêndio. Sem dúvida, eles são os melhores do mercado”, justifica.

Em dose dupla

De acordo com Martini, um projeto deste nível deve basicamente atender a dois requisitos: licença para manutenção a qualquer momento sem interrupção do serviço e tolerância a falhas. Portanto, as instalações não podem conter nós singelos, ou pontos singelos de falhas, ou seja, “sempre deve haver um caminho, um circuito ou um dispositivo de manobra estrategicamente previsto no projeto que permita que o equipamento não pare”, esclarece o engenheiro. Estes sistemas têm como base de funcionamento o conceito de redundância, que varia de acordo com a necessidade de cada cliente. Mas o que significa isso?

Vamos pegar como exemplo um rapaz que para ir ao trabalho necessite de um carro. Se o veículo quebrar e ele não puder contar com o transporte público ou táxi, por morar em lugar muito afastado, terá que comprar mais um carro para que este fique de reserva em caso de emergência. Assim, enquanto um estiver na oficina o outro é usado, formando o esquema (1+1).

Caso este rapaz se case e sua esposa tenha automóvel, o esquema passará para (2+1), com dois carros para uso e um na garagem. Agora, se os dois carros quebrarem e nenhum dos dois puder ficar sem este transporte, será preciso contar com mais um veículo, formando um esquema (2+2), com dois carros em uso e dois para emergência. Neste caso, será muito difícil um dos dois ficar sem automóvel porque as paradas para revisão nos veículos poderão ocorrer de forma programada, sem que o casal deixe de trabalhar. É claro que todo este esquema terá um custo elevado, mas se o salário ganho por cada um deles for muito maior do que o custo desta operação, então o investimento valerá a pena. “O conceito de redundância é novo no Brasil, por isso ainda não é muito bem compreendido pelos profissionais do mercado”, afirma Martini.

De Conti, do Banco Itaú: Há anos sem 1 milisegundo de interrupção de energia

Em um sistema de cargas prioritárias, as coisas funcionam mais ou menos desta forma. O custo e a quantidade de equipamentos empregados variam caso a caso. Uma grande empresa como o Banco Itaú, que possui mais de 2.200 agências espalhadas em todo o Brasil, por exemplo, precisa manter seu serviço operante 24 horas por dia, sete dias por semana. Para isso, seu principal centro de processamento de dados e teleprocessamentos, que fica na capital paulista, conta com equipamentos de contingência e redundância compostos por duas linhas exclusivas de 20 kV; dois trafos de entrada; redundância total de circuitos alimentadores de carga; dois sistemas de geração, com quatro geradores operando na média tensão (3+1), e cinco na baixa tensão (4+1), além de dois sistemas no-break, seis centrífugas (4+2) e chaves estáticas. “Há anos não temos um milisegundo de falta de energia em nosso sistema”, declara Julio Cezar De Conti, superintendente de engenharia de infra-estrutura do Itaú. “Estas instalações possibilitam a captação, o tratamento e a comunicação de dados e informações indispensáveis quando se trata de uma estrutura com milhares de pontos de venda associados a milhões de clientes”, enfatiza De Conti.

Prédio do Banco Itaú, São Paulo: esquema especial para a alimentação de cargas prioritárias


Energia vital

Se no banco o que está em jogo é o patrimônio financeiro, num hospital o risco recai sobre as vidas das pessoas. Mas, se por um lado a instituição financeira tem 100% das cargas críticas, no centro médico é possível determinar quais os setores que necessitam de atenção especial.

No hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, considerado um dos maiores e melhores do mundo por contar com recursos humanos e tecnológicos de ponta, as áreas críticas no consumo de energia são os centros cirúrgicos, as UTIs, os bancos de sangue e os laboratórios de reprodução humana, entre outros. “Nestes locais as paradas de energia elétrica são simplismente inaceitáveis”, ressalta Alexandre Rodrigues Arantes, supervisor de manutenção elétrica do hospital.

Cascão, do Albert Einstein:
funcionamento constante dos
equipamentos eletromédicos

Já nos corredores, recepção, garagens ou salas de espera, por exemplo, uma parada de 15 segundos (tempo que os geradores levam para entrar em atividade) não comprometerá o desempenho dos serviços prestados. Mesmo assim, o hospital conta com uma infra-estrutura impecável em suas instalações elétricas, que comportam 10 transformadores (9.250 kVA); sete subestações (9.250 kVA); 9 geradores (7.500 kVA) e 14 nobreaks (1.203 kVA). “A atividade da equipe assistencial e o suporte à vida dos pacientes dependem do funcionamento pleno dos equipamentos eletromédicos”, declara Antonio Carlos Cascão, diretor de infra-estrutura do Albert Einstein.

Tão vital quanto os componentes internos usados para o bom desempenho dos sistemas de cargas prioritárias é a manutenção de toda a instalação. Para que ela ocorra de forma eficiente é preciso contar com equipes especializadas que sigam uma rotina diária de trabalho dentro de um rígido esquema de planejamento, programação e execução dos serviços.

Patara, da Ação Engenharia:
“A manutenção preventiva deve estar prevista nos novos projetos”

“Quando empregamos as manutenções preventivas conseguimos excelentes resultados”, afirma Enio Patara, diretor da Ação Engenharia, empresa especializada em instalações e manutenção de projetos nesta área, com 10 anos no mercado. Patara observa que os resultados neste tipo de projeto costumam ser obtidos a longo prazo, pois a implantação de um sistema eficiente pode levar anos de planejamento e estudos.

O diretor ainda observa que os cabos Gsette e Afumex da Pirelli são ideais para este tipo de instalação. “Sem dúvida alguma a marca Pirelli é uma das mais indicadas para os projetos de missão crítica. Posso recomendar tranqüilamente estes produtos pela qualidade e pelas suas características técnicas”, declara.

Com a entrada maciça dos grandes Data Centers no mercado da Internet, que necessitam de energia elétrica de qualidade para que seus sistemas on-line funcionem 24 horas, cada vez mais os edifícios com instalações elétricas de missão crítica deverão se transformar em verdadeiras centrais vitais para o funcionamento seguro de uma infinidade de sistemas que tornam nossa vida moderna mais confortável.

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