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A queima do bagaço
de cana-de-açúcar é uma das alternativas mais atraentes
para complementar o fornecimento de energia elétrica no País
Turbogerador
com potência de 25 MW instalado
na destilaria JB, em PE. |
Quem
poderia imaginar! O bagaço da cana-de-açúcar ganhou
destaque nacional nos últimos anos. Após passarmos por uma
grave crise no setor elétrico que culminou com o apagão
em 2001, o governo brasileiro vê na co-geração de
energia obtida pela queima deste recurso natural a alternativa mais viável
a médio e longo prazos para ajudar a suprir a carência provocada
pela rede hidroelétrica, principalmente nos períodos de
estiagem. Com uma colheita anual de 320 milhões de toneladas desta
cultura, o Brasil é o maior produtor de açúcar de
cana do mundo. Imagine então a quantidade de bagaço produzido
anualmente. São 90 milhões de toneladas.
Sistema
de co-geração da
Usina de açúcar Guarani |
A técnica
para obtenção de co-geração de energia é
relativamente simples. Uma grande caldeira é aquecida com a queima
do bagaço de cana. Lá dentro o vapor sob pressão
elevada é conduzido por uma tubulação que, ao chegar
as turbinas, movimenta o gerador. A última etapa fica por conta
da distribuição para a rede elétrica. Pronto! É
só acender a luz. Não é de hoje que as usinas sucroalcooleiras
(produtoras de açúcar e álcool) usam esta forma de
captação de energia para consumo próprio. Mas, há
aproximadamente três anos, os especialistas estão apostando
na produção de excedentes. A matemática é
fácil: o que não for usado, é vendido às concessionárias
locais. Essa medida alivia a sobrecarga existente no setor elétrico.
Máquina
de co-geração da destilaria JB,
no Estado de Pernambuco |
Estudos realizados
pela União da Agroindústria Canavieira de São Paulo
(UNICA) apontam para uma produção de 1.400 MW só
no Estado de São Paulo. Deste total, 400 MW já são
comercializados. Essa capacidade energética é suficiente
para iluminar cidades de pequeno e médio porte. Em todo o território
nacional, estima-se que a co-geração produza algo em torno
de 4.000 MW. A agroindústria canavieira tem um potencial de 16.000
MW a ser explorado. A potência instalada no Brasil, considerando
os empreendimentos que já estão em operação
e somadas todas as fontes de energia, é de 84.000 MW afirma
Rosangela Lago, superintendente de concessões e autorização
de geração da Agência Nacional de Energia Elétrica
(ANEEL).
Programa de incentivo
Como se sabe,
o custo de uma termoelétrica é alto, mas os benefícios
são inúmeros. Para se ter uma idéia do tamanho do
investimento a Siner, empresa de engenharia elétrica de São
Paulo há 13 anos no mercado, estima que todo o sistema de automação
fique em torno de R$1.500,00 por KW instalado. Com a comercialização
do excedente este custo pode ser amortizado em cerca de 8 a 12 anos, para
um empreendimento de 25.000 KW.
A Pirelli
entra fornecendo cabos elétricos de baixa e alta tensão
e terminações para a instalação. Apesar de
esta ser uma fonte energética diferenciada, as técnicas
empregadas nas instalações elétricas dos sistemas
de co-geração não apresentam grandes inovações,
porém necessitam de alta confiabilidade. Em função
da alta segurança que o sistema deve oferecer para possibilitar
um rápido retorno do investimento envolvido, geralmente são
utilizados somente condutores de excelente performance e confiabilidade,
como os Eprotenax Compact, Eprotenax Gsette e Sintenax.
Veja como
funciona a co-geração de energia com o bagaço da
cana:

1-O
bagaço de cana abastece o forno responsável pelo aquecimento
da caldeira
2-A água em ebulição produz vapor saturado
sob pressão, que é conduzido por uma tubulação
até a turbina elétrica
3-A turbina é movimentada pelo vapor sob pressão,
fazendo com que o gerador produza energia
4-A
energia gerada deve abastecer a rede elétrica, pois não
pode ser armazenada
Governo apóia
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Presidente Lula inaugura termoelétrica de 60 MW na Usina
Santa Elisa, uma das maiores do mundo na co-geração
de energia
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Para tornar
a alternativa executável o governo federal, por meio do Banco Nacional
de Desenvolvimento Social (BNDES) lançou um programa de apoio às
usinas, cujo objetivo é oferecer financiamento para as obras.
Um bom exemplo
do sucesso desse tipo de empreendimento pode ser observado na Companhia
Energética Santa Elisa (CESE),de Sertãozinho, SP. A recente
inauguração da caldeira aquatubular contou com a presença
do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva. A
nova unidade é uma das maiores termoelétricas abastecidas
por biomassa do mundo. O equipamento utilizou tecnologia 100% nacional
e foi construído por um consórcio de nove empresas, 60%
delas instaladas na região. Com a produção de 250
ton/ hora de vapor de alta pressão (65 kg/cm2) e temperatura de
510°C, a CESE co-gera 60 MW de potência nominal, o suficiente
para iluminar 500 mil casas populares. Metade deste montante é
comercializado junto à Companhia Paulista de Força e Luz
(CPFL), responsável pela construção da subestação
e de uma linha de transmissão de 1,6 km para interligar a energia
ao sistema de distribuição.
Vicente
Darco, diretor da Siner: Teste para termelétrica
trabalhar 11 meses consecutivos. |
O êxito
na construção de termoelétricas também pode
ser constatado pelo bom desempenho das empresas de engenharia elétrica
responsáveis por empreendimentos de médio porte, como é
o caso da Siner. Nos últimos três anos tivemos um crescimento
de 300%, afirma o diretor Vicente Darco. Como a maioria das
usinas produzem de seis a oito meses por ano (no período de entressafra
elas ficam paradas), a Siner, responsável pela construção
do sistema de geração e transmissão Usina da Pedra,
em Riberão Preto (SP), tem algo mais a comemorar. Após
uma fase de testes com a economia do bagaço, a termoelétrica
com 50 MW instalados será a primeira do País a trabalhar
durante 11 meses consecutivos, declara Darco.
Luiz
Otávio Koblitz: Perspectivas de crescimento de 13%
em relação a 2002 |
Fundada há
26 anos, a Koblitz, outra empresa de engenharia com grande destaque na
produção de energia até 30 MW, também cresceu
com o boom ocasionado pelo apagão. No último
ano tivemos um aumento de 15% no volume de projetos enfatiza o presidente
Luís Otávio Koblitz. Entre os serviços prestados
pela empresa estão as construções das termoelétricas
da Usina Petribu, em Pernambuco, e da Usina Delta, no interior de São
Paulo. A perspectiva para 2003 é de que a empresa cresça
cerca de 13% em relação ao ano passado. Para a retomada
da boa fase de negócios, tanto a Siner quanto a Koblitz estão
apostando no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia
Elétrica (PROINFA), do governo federal.
De acordo
com a ANEEL, as vantagens obtidas com a queima do bagaço de cana
são inúmeras. A indústria ganha com a venda do excedente
e há um aumento na contratação de mãode- obra.
Do ponto de vista estratégico, o sistema é descentralizado
e próximo aos pontos de consumo. No caso particular das Regiões
Sudeste e Centro-Oeste, a captação ocorre durante o período
de seca, justamente quando os reservatórios estão em baixa.
E o principal: o combustível limpo e renovável produz menos
poluentes, causando menor impacto ao meio ambiente.
É
a Pirelli junto às usinas, projetistas e instaladores levando energia
limpa até você, e acompanhando o desenvolvimento do Brasil!
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